“Maio e junho podem ser meses dramáticos”, alerta epidemiologista sobre pandemia

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Com 50 anos “no front” da Saúde Pública, o epidemiologista Jair Ferreira não tem uma boa expectativa para os meses de maio e junho em relação à contaminação por covid-19 no Brasil. Ele nota que os dados já no final de abril indicavam o crescimento da covid-19. “É bem possível que maio e junho sejam dramáticos em determinadas áreas do país”, adverte.

“Os mais otimistas projetam o pico da epidemia para meados de maio. Eu não seria tão otimista”, avalia o médico. Ferreira diz que, se tivesse de apostar, apostaria em meados de junho para o ápice de casos novos e óbitos.

Atuante nos programas estaduais de controle da hanseníase, no final do século passado Ferreira trabalhou no combate ao vírus HIV, causador da Aids, e foi consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS). Hoje, leciona epidemiologia na UFRGS e acompanha o avanço do coronavírus.

Fracasso na busca da vacina

Na Secretaria Estadual da Saúde do RS, ao combater o HIV, também um vírus e uma doença sem vacina ou medicação naquele momento, ele confessa que foi demasiadamente otimista. Em 1995, avaliando o quadro de então, quando 30 projetos de pesquisa perseguiam a vacina contra o HIV, prognosticou a descoberta da imunização para 2005. “Pensei estar sendo realista, mas estava sendo otimista. Todos os projetos fracassaram e chegamos em 2020 sem vacina contra a Aids”, reconhece.


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Em compensação, em 1996, foi surpreendido pelo surgimento de uma terapia eficaz através de uma combinação de medicamentos, o “coquetel”, como ficou popularmente conhecida. “Aquela experiência me ensinou que não se pode prever os avanços da medicina em relação a uma determinada doença…”

Repara que se, em 2009, a epidemia de H1N1 (gripe suína ou influenza A) poupou os idosos mas foi grave em adultos jovens e, especialmente, em gestantes, o comportamento da covid-19 representa risco principalmente para a chamada terceira idade.

Até 12 vezes mais infectados

No caso da pandemia em curso, a solução para saber o tamanho de seu alcance e disseminação no Brasil, o mais adequado, segundo Ferreira, não seriam os testes massivos mas um estudo amostral como o que está sendo realizado no estado e no país pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

“Ele nos permite estimar que o número de infectados é de 10 a 12 vezes mais alto do que o de casos notificados”, comenta. Questionado sobre as intenções de reabertura do comércio antes mesmo do pico da epidemia, sugere uma saída de “bom senso” capaz de impor regras eficazes para a retomada. Ele entende que o Brasil errou menos do que países como Itália, Espanha e Estados Unidos porque teve um tempo que os demais não tiveram.

Ferreira é cético quanto à obtenção próxima de uma vacina. “A previsão de ter uma vacina no primeiro semestre de 2021 é altamente otimista”, avisa. “O coronavírus não é uma variedade dos vírus da gripe. É diferente e pode acontecer que a vacina leve muito mais tempo”, argumenta. “Ou pode ocorrer o mesmo que estamos observando com o HIV, contra o qual ainda não se obteve uma vacina 40 anos após o seu surgimento”, conclui.

Com informações do Brasil de Fato (Rio Grande do Sul)

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