PGR pede ao STF para ouvir ministros sobre interferência de Bolsonaro na PF

Procurador-geral da República, Augusto Aras

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O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu nesta segunda-feira (4), que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorize diligências no inquérito sobre interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF. A análise cabe ao relator do caso no tribunal, Celso de Mello.

Aras solicita depoimentos de pessoas citadas por pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro em depoimento, recuperação de áudio ou vídeo que comprove a suposta intenção de Bolsonaro de intervir no órgão e a perícia nas informações constantes do celular de Moro.

Também nesta segunda-feira, o deputado federal Marcelo Freixo (Psol/RJ) anunciou que a bancada do partido protocola na Câmara, requerimento para convocar o novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Rolando Souza, para que ele explique a mudança do comando da instituição no Rio de Janeiro. A troca no RJ foi o primeiro ato do novo chefe da PF. “Não deixaremos que a PF seja transformada numa polícia política para proteger o presidente”, afirmou Freixo. 

“Novo chefe da PF, Rolando Souza já mostrou a que veio. Mal assumiu o cargo e já mandou trocar o comando da Polícia Federal no Rio. Bolsonaro está usando a presidência para impedir que as relações criminosas da sua família com milícia sejam investigadas”, escreveu o parlamentar no Twitter. 


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Ao se demitir no dia 24, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro acusou o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF. No sábado (2), Moro deu um depoimento de mais de oito horas na sede da Superintendência da Polícia Federal no Paraná, em Curitiba, sobre a tentativa de Bolsonaro de, inclusive, ter acesso a relatórios confidenciais.

Em uma mensagem enviada por Bolsonaro ao ex-ministro e entregue por Moro à PF, o presidente afirma: “quero o Rio”, em referência à chefia da PF no estado.

Para a deputada Gleisi Hoffmann (PT/PR), presidente do partido, o primeiro ato do novo diretor da PF, o de trocar o comando no RJ, se explica “porque no RJ tem investigação de: rachadinha de filho, funcionários fantasmas de outro filho, casos Queiroz e Marielle”.

No mesmo tom, a deputada Sâmia Bomfim (Psol/SP) questionou: “E o que investiga a PF no Rio? As milícias, Flávio Bolsonaro, Queiroz etc”.

“’Quero o Rio’ foi uma das mensagens de Bolsonaro a Moro. Mais preciso impossível”, afirmou o deputado Ivan Valente (Psol-SP).

O cargo da chefia da PF tem sido intensamente disputado por Bolsonaro. A demissão de Maurício Valeixo, aliado de Moro, foi o pivô da turbulenta saída do ex-ministro da Esplanada.

Na quarta-feira (29), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a direção geral da PF, atendendo a pedido do PDT. O ministro citou declaração do próprio Bolsonaro: “Sempre falei para ele: ‘Moro, não tenho informações da Polícia Federal. Eu tenho que, todo dia, ter um relatório do que aconteceu”. O novo diretor-geral da PF é considerado “braço-direito” de Alexandre Ramagem.

Agressões contra jornalistas

O procurador-geral da República Aras também solicitou à procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Fabiana Costa Oliveira Barreto, a apuração de agressões contra jornalistas durante ato bolsonarista realizado no domingo (3), em Brasília, do qual Bolsonaro participou. A manifestação mais uma vez atacou o Congresso e o STF. Entre os jornalistas agredidos, está o fotógrafo Dida Sampaio, do jornal O Estado de S. Paulo.

O presidente afirmou que não vai mais admitir “interferência” (em referência a Alexandre de Moraes) do STF, já que tem a população e as Forças Armadas ao seu lado. “Queremos a independência verdadeira, não apenas uma letra da Constituição, não queremos isso. Chega de interferência”, declarou o chefe de governo.

Ministro da Defesa: “inaceitável”

Nesta segunda-feira (4), o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, em nota, afirmou ser “inaceitável” a agressão a jornalistas. profissionais de imprensa. Ele também defendeu a liberdade de expressão, “requisito fundamental de um País democrático. No entanto, qualquer agressão a profissionais de imprensa é inaceitável”, diz a nota.

“As Forças Armadas estarão sempre ao lado da lei, da ordem, da democracia e da liberdade”, disse ainda. O ministro da Defesa acrescentou ainda que “Marinha, Exército e Força Aérea são organismos de Estado, que consideram a independência e a harmonia entre os Poderes imprescindíveis para a governabilidade do País”.

Diversas autoridades se manifestaram contra a violência. “Ontem (sábado) enfermeiras ameaçadas. Hoje (domingo) jornalistas agredidos. Amanhã, qualquer um que se opõe à visão de mundo deles”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Que a Justiça seja célere para punir esses criminosos”, acrescentou.

Os ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes também se manifestaram contra a violência. 

Com informações da Rede Brasil Atual

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