Moro apresentou sete provas à PF para sustentar acusações contra Bolsonaro

Sérgio Moro em depoimento no Congresso

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O ex-ministro Sérgio Moro teria apresentado à Polícia Federal, no sábado (2), pelo menos sete provas para sustentar as acusações que fez contra o presidente Jair Bolsonaro ao deixar o governo. As informações são O Globo. Ao anunciar sua demissão, Moro afirmou que o presidente tentava interferir politicamente na PF e em suas investigações, por interesses pessoais.

Segundo a reportagem, Moro afirmou que ministros da ala militar do governo federal foram testemunhas das pressões de Bolsonaro à PF e podem confirmar seus relatos. Ele citou os nomes dos generais Augusto Heleno, do gabinete de Segurança Institucional, Braga Netto, da Casa Civil e Luiz Eduardo Ramos, da secretaria de Governo.

O celular do ex-ministro também foi entregue à Polícia Federal para que os investigadores tenham acesso ao conteúdo das conversas com Bolsonaro e com a deputada federal Carla Zambelli (PSL/SP). De acordo com a reportagem, os peritos da PF conseguiram recuperar mensagens de aproximadamente 15 dias, visto que Moro as apagava com frequência por temer um novo ataque hacker.


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Ainda de acordo com a apuração, a perícia da PF confirmou a existência de um diálogo no qual Bolsonaro manifesta a Moro uma preocupação com inquérito sobre fake news, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), e que poderia atingir de dez a doze deputados bolsonaristas. Na conversa, revelada pelo “Jornal Nacional”, Bolsonaro afirma a Moro: “Mais um motivo para a troca”, uma referência à sua intenção de demitir Valeixo.

Nesta segunda-feira (4), o presidente Jair Bolsonaro confirmou o envio desta mensagem ao ex-ministro, mas atribuiu a ela um tom de fofoca. “Tem aqui um print do Antagonista. Ta escrito embaixo ‘mais um motivo para troca’. Realmente eu escrevi isso e to dizendo que isso é fofoca, ta legal?”, disse o capitão na saída do Palácio do Planalto.

Também há informações sobre a existência de mensagens nas quais Bolsonaro manifesta interesse de trocar o comando da Superintendência da PF em Pernambuco, conteúdo que também indica a preocupação do presidente com inquéritos em curso no STF.

Outra prova, também revelada pelo O Globo, é um registro em vídeo de uma reunião do conselho de ministros do governo federal no dia 22 de abril. Nela, Bolsonaro expressa intenção de trocar o superintendente da PF no Rio de Janeiro e ameaça demitir Moro caso ele não concordasse com a substituição. O ex-ministro não tinha o registro no celular, mas afirmou que esses encontros costumavam ser gravados pelo Palácio do Planalto, e que outros ministros testemunharam o diálogo. O material deve ser obtido ao longo do inquérito.

Moro também apontou que há provas documentais, tanto dentro da Polícia Federal como na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que comprovam que Bolsonaro tenha pedido acesso a relatórios de inteligência da PF e admitiu sua intenção de trocar integrantes de cargos de comando da PF.

Peritos da PF ainda farão um relatório sobre o conteúdo das conversas existentes no celular. Caso Se comprovadas as acusações do ex-ministro, é possível que se demonstre a prática de irregularidades por parte do presidente nas tentativas de interferência na Polícia Federal. Fazem parte desse conjunto de provas tanto os elementos entregues diretamente por Moro como a indicação de testemunhas e documentos a serem obtidos pela investigação da PF.

Com informações da Carta Capital

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